(Continuação)
Faltava...
Por que quando a coruja viu aquela mansão de barro, feita pelo João, ela ficou
encantada e sua cabeça ficou girando! A partir de então, é lá que a coruja
dorme! Junto com o João-de-barro, claro!
O
urubu chegou pousando ao lado daquele ninho de barro e perguntou ao João se ali
era uma pousada! A coruja saiu lá de dentro querendo imbicar o urubu:
-
“Pousada? Você acha que aqui é a casa da mãe Joana”?
-
“Não, eu acho que aqui é a casa do João, mas eu fiquei sabendo que você tá
dormindo aí coruja...”!
-
“Ah é? E eu posso saber como é que você ficou sabendo”?
O
urubu fingiu de bobo:
-
“Foi um passarinho verde que me contou”!
A
coruja ficou uma arara:
-
“E o que mais que o passarinho verde idiota te contou”?
-
“Contou que tem casal aí que vai receber a visita da cegonha”.
-
“Já tão inventando que eu vou ser mãe?!”.
O
urubu comentou:
-
“Não citaram nomes, mas independente de quem for, acho que você seria uma boa
mãe, coruja”!
-
“Vira essa boca pra lá urubu”!
-
“Por quê? Tô com mau hálito”?
-
“Não, você tá é com urucubaca pra cima de mim! Eu não quero saber de bebê por
agora”!
O
canarinho chegou trocando as pernas, aliás, trocando as asas e cantando de
galo:
-
“Quem não quer beber agora”?
-
“Não é pro seu bico”! Respondeu a coruja impaciente!
O
urubu quase botou as tripas pra fora de tanto rir!
-
“Por que você tá rachando os bico urubu”?
-
“Se eu fosse você, eu saía voando daqui canarinho, senão você vai tomar outra”!
-
“Já tomei umas e vou tomar outras... Hoje eu quero-quero tomar todas, até
chamar urubu de meu lôro”!
-
“Não vai me chamar de lôro nada! Pode ir cortando suas asinhas meu amigo!”.
-
“Por falar em amigo, vâmo ali comigo urubu, que eu vou te apresentar um canarinho
amigo meu”.
-
“Apresentar um amigo seu? Você não tá nem conseguindo falar canarinho”!
-
“Quem não tá conseguindo falar é esse amigo meu! Ele até tentou, mas eu não
consegui entender nada”!
-
“Tá vendo como você já tá ruim canarinho!? Não conseguiu entender nem o que seu
amigo tava falando, e olha que ele fala a sua língua”!
-
“Ele não fala a minha língua não”!
-
“Mas você disse agora que seu amigo também é um canarinho”!
-
“Belga! Ele é um canarinho belga e não entende o português! E eu não entendo tico-tico
nenhum que ele fala! Entendeu?”.
-
“Entendi, não precisa falar mais nada... Vai lá e canta”!
-
“Eu ir lá e cantar ele? Tá me estranhando urubu?”.
-
“Cantar ele não! Vai lá e canta com ele por que quem canta seus males
espanta!”.
-
“Eu vou é beber mais”!
-
“Bem, te vi, te aconselhei, mas se você quer beber mais, o problema é seu
canarinho! Ema, ema, ema, cada um com seus problemas!”.
-
“Você não vai molhar o bico urubu?”.
-
“Meu estômago embrulha só de sentir o seu bafo de álcool”.
-
“Ah falô viu... E o seu bafo de carniça é muito agradável”.
A
festança continuava com a dupla Pica e Pau que começou a cantar os sucessos da
banda “Asa de Águia”!
A
pombinha passou voando com a rolinha atrás, enquanto o gavião tentava comer o
ovo da codorna! E naquela confusão toda, o pato acabou machucando a pata e entrou
“pelicano”!
A
festa terminou tarde da noite! Em pouco tempo, todos já tinham levantado voo e não
se ouvia mais nenhum pio vindo da frondosa árvore! Mas na semana seguinte todos
estariam reunidos ali de novo, para esse divertido encontro que era sempre do
peru!
(Caju)


